Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo


Artigos

Profissão docente de sociologia: contribuição na construção emancipatória dos sujeitos

Uriel Mortimer*

Ao se tratar da profissão docente, é importante ter em mente sobre a importância da emancipação do olhar do professor. A busca por uma educação de qualidade requer alguns artifícios e qualificações que viabilizam um processo ensino-aprendizagem de forma a atender aos anseios do professor e às necessidades dos alunos. Para uma melhor compreensão da discussão, é interessante expor a atuação de professor de sociologia para se ilustrar a “emancipação do olhar” docente.

A realidade da educação brasileira, principalmente pública, nos faz pensar sobre como desenvolver um processo educativo eficiente para os jovens. É importante o auto-conhecimento do aluno e da realidade socioeconômica em que está inserido, para que ele possa entender e apreender os conhecimentos necessários à sua formação sujeito-trabalhador. Estamos inseridos na lógica capitalista e somos socializados desde a infância para o ingresso no mundo do trabalho, valorizando o sistema imposto.

Como trabalhar a sociologia eficazmente com alunos desconhecedores do meio material em que estão inseridos? Como desenvolver saberes de várias ordens se não houver interação professor/aluno, num respeito mútuo? Esses são questionamentos importantes e demandam uma reflexão mais aprofundada.

Pensar em um processo ensino-aprendizagem com a disciplina sociologia, demanda do profissional docente desta ciência social o conhecimento da realidade de seu aluno. Com o objetivo de desenvolver o sujeito ator social e também transformador/construtor da sociedade, o docente deve auxiliar o aluno na reflexão de seu “papel” no meio societário em que vive. A discussão sobre as questões sociais que permeiam a sociedade se faz importante, levando o discente a se colocar na “arena de disputas” que é a sociedade, reconhecendo assim sua importância como agente construtor/colaborador das relações sociais desenvolvidas.

É importante salientar mais uma vez o desenvolvimento dos processos educativos como instrumentos de formação para o mundo do trabalho. A educação como artifício emancipatório do sujeito, também é utilizada para atender aos interesses do capital. O professor de sociologia deve mostrar ao aluno a importância da educação como um dos meios para se alcançar o melhor para sua vida ao mesmo tempo levando o educando ao questionamento da relação educação/capital/trabalho.

Assim, infere-se a importância do desenvolvimento de um  processo ensino-aprendizagem em que sejam desenvolvidas relações sociais entre professor/aluno onde ambos possam construir e desenvolver saberes, conceitos e principalmente a emancipação social, respeitando os distintos olhares de cada ator social envolvido.

02/12/2008

* Sociólogo (Bacharel em Ciências Sociais) pela UNIMONTES; Especialista em Pedagogia Empresarial pela PUC Minas. Atua como Pesquisador Social desenvolvendo estudos sobre Políticas Públicas para a Infância e Adolescência. É Professor Assistente na UNIPAC Curvelo e na Faculdade de Administração de Curvelo. Professor do Ensino Médio nas Redes Pública e Privada de Educação.